MERCADO EXTERNO
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Taxa de Câmbio



Informações extraídas do estudo do Prof. Marcos Fava, O Retrato da Citricultura Brasileira, capítulo 8: Taxa de câmbio, pp.26-27.

A taxa de câmbio real, ajustada pela inflação do Brasil e dos Estados Unidos, procura refletir o poder de compra da moeda nacional diante do dólar, bem como a competitividade do país no mercado internacional. Uma taxa de câmbio nominal desvalorizada em relação ao câmbio real, a exemplo do que ocorreu do final de 1998 ao início de 2005, estimula as exportações (Gráfico 1).

Em contrapartida, uma taxa de câmbio nominal valorizada gera menos receita em reais ao país, como é possível observar nas exportações brasileiras de suco de laranja de 2006 a 2009 (Gráfico 1). Nesse período, a receita obtida foi de, aproximadamente, US$ 8,3 bilhões, o equivalente a R$ 16,3 bilhões, considerando o câmbio nominal (R$ 1,99/US$). Caso fosse utilizado o câmbio real (R$ 2,32/US$), o valor seria de R$ 19,1 bilhões, uma diferença de R$ 2,8 bilhões a mais de receita no período de 2006 a 2009, aproximadamente R$ 706 milhões ao ano, ou R$ 2,30 por caixa de laranja processada pela indústria (Gráfico 2).

 

Graf1

 

Se por um lado a desvalorização do dólar tem prejudicado a receita em reais do exportador brasileiro de suco de laranja, por outro lado, ela tem beneficiado o importador europeu. A valorização do euro em relação ao dólar aumenta o seu poder de compra, de forma que a commodity fique relativamente mais barata. Isso aliado à estabilidade do preço do suco de laranja nas gôndolas dos supermercados permitiu uma transferência de renda dos primeiros elos da cadeia produtiva, localizados no Brasil, para os elos finais localizados na Europa.

 

Graf2

 

Apesar do câmbio desfavorável ao exportador, o setor citrícola manteve-se firme nas exportações do seu complexo de produtos em função da importância do Brasil como fornecedor mundial, principalmente do suco de laranja. Muitos outros setores da indústria brasileira, como o alçadista, tiveram maiores dificuldades em resistir à pressão da valorização do real.

Enfim, a taxa de câmbio hoje é um dos principais penalizadores e extratores de valor da cadeia produtiva.