ECONOMIA
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Preço de venda (Europa)

A indústria e a forte oscilação dos preços internacionais do suco na década

Informações extraídas do estudo do Prof. Marcos Fava, Análise de uma Década na Cadeia da Laranja, capítulo 4: A indústria processadora no Brasil e a produção de laranja para suco, pp.20-31.
 

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O suco de laranja é uma commodity com alta volatilidade de produção e preços, em contraste com uma demanda praticamente constante. Estas mudanças de preços de suco de laranja na bolsa de Nova Iorque e nos mercados físicos da Europa e Ásia trazem agudas oscilações nos preços da fruta.

De um ano para outro, a diferença de produção na oferta de fruta pode chegar a 40%, dependendo das condições climáticas antes e depois da florada, intempéries como secas prolongadas ou geadas.

Afetam o mercado também as expectativas de produção e suas consequentes especulações acerca do comportamento das safras seguintes nos cinturões citrícolas de São Paulo/Triângulo Mineiro e na Flórida.

Por outro lado, quando se observa o comportamento da demanda real, os movimentos são muito menos bruscos. Enquanto a s safras variam 40% de um ano para outro, nos últimos sete anos, as oscilações de demanda não ultrapassaram 3% entre os anos.

Em síntese, pelo fato de 80% da produção mundial estar concentrada em São Paulo e na Flórida, são os índices de produtividade dos pomares os responsáveis pela grande variabilidade do volume de suco de laranja a ser produzido e ofertado aos mercados. Essas variações em curto espaço de tempo fazem com que os preços do suco de laranja concentrado (FCOJ) tenham alta volatilidade, causando grande distúrbio econômico nos elos da cadeia produtiva.

Prova disto é que no período analisado verificou-se uma amplitude incrível de preços no mercado físico na Europa, com piso em janeiro de 2001, com média de preço de US$ 712 por tonelada de FCOJ, e com teto em julho de 2007, com média de preço de US$ 2.230 por tonelada de FCOJ.

Já na Bolsa de Nova Iorque verificou-se uma amplitude ainda maior. Em maio de 2004 atingiu o piso com média diária do fechamento de US$ 0,5611 por libra de sólidos, o equivalente a US$ 396 por tonelada de FCOJ equivalente livre de impostos, e em dezembro de 2006 atingiu o teto com média diária dos fechamentos de US$ 2,0123 por libra de sólidos, correspondente a US$ 2.432 por tonelada de FCOJ equivalente livre de impostos.

 

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A dinâmica do setor é influenciada por diversos eventos:

- Variabilidades climáticas impactam fortemente o volume de produção global anual de suco de laranja e estoques globais de suco de laranja ao final de cada safra (estoques de passagem, ou carry-outs);

- A demanda pelo suco de laranja vem apresentando leves alterações de consumo de ano para ano, com relativa independência na quantidade de suco de laranja ofertado no mercado global, uma vez que os preços finais de gôndola sofrem pouca alteração;

- A acentuada volatilidade dos preços do suco de laranja na Bolsa de Nova Iorque e no mercado físico europeu deve-se às expectativas de produção e estoques de passagem das safras subsequentes;

- O aumento do poder de negociação dos varejistas em um cenário de excesso de capacidade ociosa por parte dos envasadores de sucos (estimada hoje em mais de 40% na Europa e em aproximadamente 30% na América do Norte) causa uma forte pressão negativa de preços de venda aos envasadores;

- O excesso de oferta de suco de laranja a um pequeno portfólio de envasadores cada vez mais concentrados causa também uma forte pressão negativa nos preços de venda do FCOJ das indústrias produtoras de suco de laranja, principalmente em momentos de grandes safras e superoferta de suco de laranja no mercado mundial;

- Apesar de uma correlação direta, percebe-se também uma defasagem natural entre as cotações médias mensais da Bolsa de Nova Iorque e os preços médios recebidos pelas indústrias no mercado físico europeu, principal destino das exportações brasileiras. Essa defasagem advém do fato de que os preços dos contratos na Europa e Ásia são travados com envasadores para períodos variáveis entre seis e 24 meses, ao contrário do mercado de futuros que tem baixa liquidez em períodos superiores a seis meses futuros.