ECONOMIA
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Histórico



Informações extraídas do estudo do Prof. Marcos Fava, O Retrato da Citricultura Brasileira, capítulo 12: Produção de suco de laranja, pp.36-39.

Nas últimas 15 safras, de 1995/96 a 2009/10, a queda na produção mundial de suco foi de 13% (equivalentes a 308 mil toneladas), sendo que as maiores reduções aconteceram na Flórida em 295 mil toneladas e no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo Mineiro em 31 mil toneladas (Gráfico 1). Embora tenham diminuído, essas regiões continuam liderando a produção mundial de suco de laranja, com 81% de toda a produção.

Nos Estados do Paraná, da Bahia, do Sergipe, do Rio Grande do Sul, do Pará, de Goiás e do Rio de Janeiro o mercado de fruta fresca absorve 77% da produção destas regiões. No entanto, dependendo da valorização do preço do suco, estes Estados brasileiros, assim como outros países de menor importância na produção de suco, como África do Sul, China, Espanha, Grécia, Itália, Índia, México, Paquistão e Turquia entre outros passam a processar mais laranja e juntos chegam a produzir 150 mil toneladas de suco concentrado a mais do que normalmente produzem. O aumento da oferta de suco proveniente destas regiões tende a pressionar os preços para baixo.

Porém, a maior influência no preço do lado da oferta vem das oscilações de produção, estoques e disponibilidade de suco do Brasil, Estados Unidos, e zona do Mediterrâneo, que juntos respondem por 96% do suco de laranja que é produzido no mundo. Assim, São Paulo, apesar de ter metade da produção mundial, sofre influência desses outros países e regiões, cujas produções somadas são tão expressivas quanto a produção paulista, dificultando às empresas brasileiras estabelecerem preços mundiais.

O suco de laranja originário do Brasil é conhecido por sua elevada qualidade. O Brasil é o maior produtor e exportador, detendo 53% da produção mundial (Tabela 1) e exportando aproximadamente 98% dessa produção. O tipo de suco produzido é ditado pelo comportamento do consumidor em mercados de mais alto poder aquisitivo, que nos últimos anos passou a preferir o NFC ao FCOJ, por ser um produto de paladar mais agradável, com sabor mais aproximado ao do suco espremido na hora e por possuir uma imagem de mais saudável. As primeiras produções de NFC no Brasil começaram em 1999/00 ainda em caráter experimental, em 2000 foram realizadas as primeiras exportações, mas só em 2002/03 o NFC passou a ser registrado pela Secex separadamente das exportações do FCOJ.

 

Graf1

 

Para atender à crescente demanda do consumidor, a produção de FCOJ aos poucos foi dando lugar à produção de NFC. De 2003 a 2009, houve um investimento da ordem de U$ 900 milhões por parte das indústrias na produção, armazenamento e distribuição internacional do NFC. Estima-se que para cada caixa processada, armazenada e levada em forma desse suco ao cliente no exterior é necessário um investimento três vezes superior ao necessário para o FCOJ. Foi graças a esse investimento nesse novo produto a 11,5º Brix que as exportações de NFC saltaram de 278.572 tons em 2003 para 939.442 tons em 2009, o equivalente a aproximadamente 171 mil toneladas de FCOJ a 66º Brix ou a 13% do total de suco exportado pelo Brasil. Tais investimentos para a produção de NFC devem ser amortizados durante um período de dez a 15 anos, segundo especialistas entrevistados.

 

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