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Recentes aquisições movimentam mercado brasileiro de bebidas e mostram que produtos com apelos saudáveis entraram de vez no radar das grandes empresas

Basta um olhar mais atento pelos corredores dos supermercados para perceber que o mercado brasileiro de sucos 100% passa por um momento de franca expansão. A recente aquisição da fabricante de sucos Do bem pela gigante Ambev é a mais recente prova desse movimento. O negócio, cujos valores não foram revelados, marca a estreia da gigante do ramo dos refrigerantes e cerveja no segmento de sucos, justamente com uma das primeiras empresas a apostar nesse segmento no Brasil. "A Do bem chega para expandir e fortalecer a atuação da divisão de não alcoólicos da companhia", informou a AmBev em comunicado.

Lançada em 2009, a Do bem ficou conhecida por suas embalagens descoladas, proposta saudável e com uso de criativas ferramentas de comunicação. Uma fórmula criada pelo carioca Marcos Leta, que fundou a marca, e que ajudou a agregar valor a suas caixinhas. Se para a Ambev o negócio amplia seu portifólio e abre um novo segmento a ser explorado, já para a Do bem, a parceria deve ajudar a expandir a presença da marca em outras regiões do Brasil. Em comunicado a empresa afirmou que a divisão de não alcoólicos da Ambev era o "parceiro ideal" para realizar o projeto de expansão. "Esse sonho agora se tornará realidade. Para o consumidor nada muda, só melhora. Nossos sócios e equipe continuarão à frente do negócio", esclarece a nota.

A aquisição do dobem pela Ambev não foi o único negócio que mexeu com o mercado brasileiro de bebidas. A Coca-Cola Company em parceria com a engarrafadora mexicana Coca-Cola Femsa,  anunciou a compra da marca de bebidas à base de soja, Ades, pertencente a Unilever, pelo valor de R$ 2 bilhões. A operação reforça a estratégia da Coca de apostar em segmentos de bebidas com maior apelo e questões de saúde. Tanto que a empresa também lançou no Brasil sua Coca-Cola adoçada com stévia. Todo esse movimento acontece em um momento em que as vendas de refrigerantes caem tanto no Brasil como nos Estados Unidos.

De acordo com dados da Nielsen, o consumo per capita da bebida entre os americanos caiu 25% entre 1998 e 2015. No primeiro trimestre deste ano, as vendas dos itens com gás no país — incluindo a Coca-Cola e tros refrigerantes da empresa — se manteve estável, enquanto as vendas de bebidas não-gasosas cresceram 7%. A compra da AdeS é uma tentativa da Coca-Cola de ampliar a presença no mercado de produtos saudáveis, uma vez que a procura por esses itens tem crescido. As aquisições feitas por Ambev e Coca-Cola mostram uma disposição das empresas em se colocarem em segmentos que até então não atendiam, mas com estratégias diferentes. 


Enquanto a Ambev aposta em um segmento puro e de alto valor agregado, a Coca-Cola, que possui uma tradição no mercado 100% de suco de laranja, vira suas atenções para o segmento de bebidas de soja, onde as margens aos engarrafadores são em média maiores em relação ao mercado de suco de laranja. Um aspecto que pode impactar na divisão de investimentos da empresa entre os dois segmentos em que atua. As estratégias podem ser diferentes, mas o objetivo dessas gigantes é o mesmo, conquistar consumidores focados em produtos mais saudáveis e de maior valor agregado. Um público que cresce em todo o mundo. Uma pesquisa divulgada no ano passado pela Nielsen, que entrevistou 30 mil pessoas em 60 países, mostra que os consumidores não só estão dispostos a comprar como até a pagar mais caro por alimentos saudáveis. Segundo o estudo, 38% estão moderadamente dispostos a pagar mais, seguidos por 27% dos entrevistados muito dispostos a pagar mais caro, 23% pouco dispostos e 12% que não estão. Um dado importante se destaca: a disposição de desembolsar mais dinheiro por benefícios à saúde é maior em países em desenvolvimento — grupo do qual o Brasil faz parte. Esse é um dos motivos por trás da diversificação em que apostam as grandes marcas.