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Estiagem reduz safras de culturas estratégicas

Estadão - 03/03/15 - Colheitas de café, cana-de-açúcar e laranja podem diminuir em até 50%. Preços de hortifrútis já começaram a subir

Desde o ano passado, a seca deixou de ser uma questão específica do Nordeste do País e atingiu o Sudeste, região responsável por 55% do PIB nacional. Em 2014, 93 municípios entraram em estado de atenção – 89 em Minas Gerais, três em São Paulo e um no Espírito Santo -, de acordo com o Ministério da Integração Nacional. Em 2015, as notícias pioraram. A falta de água na região metropolitana levou o governo a decretar no mês passado a restrição no volume liberado para a irrigação das propriedades produtoras de hortifrútis, que abastecem 50% do Estado de São Paulo. Trata-se das plantações que usam recursos das bacias do Alto Tietê, do Alto Piracicaba, do Capivari e do Jundiaí.

O consumidor que estava preocupado com a falta de água na torneira de casa agora tem de lidar com a elevação do custo dos hortifrútis e com a insegurança de que alguns produtos poderão faltar à mesa. Em fevereiro, foi registrada alta de 10% no preço das hortaliças. A alface, em especial, segundo a Fundação de Pesquisas Econômicas (Fipe), acumula aumento de 16%, enquanto o esperado era de 5%.

Para o produtor, o cenário é ainda mais complicado. Ele já contabiliza prejuízos. “A agricultura já está sentindo os efeitos da seca”, diz Nelson Ananias Filho, assessor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). “Estima-se queda de 20% a 50% na produção das culturas com ciclo mais curto, como frutas e hortaliças.” Também há perspectiva de diminuição de 30% na safra da cana-de-açúcar e de 20% a 30% na de café, em queda desde 2014. No fim do ano passado, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) contabilizou queda de 7,7% na produção de café, devido à forte estiagem no período.

A seca no Sudeste está longe de ser um problema regional. Ela pode afetar a balança comercial do País. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo possuem liderança na produção de vários itens que são exportados mundo afora. A região tem o segundo maior rebanho de gado e o primeiro de aves. Na agricultura, 78,9% do mercado nacional de laranja, 53% da produção de café (sul de Minas Gerais) e 60% das plantações de cana-de-açúcar. Essas culturas são alguns dos principais itens de exportação do Brasil. Vale lembrar que o agronegócio corresponde a 23% do PIB nacional.

“A falta de irrigação adequada pode gerar quebras na produtividade, redução no tamanho e qualidade das frutas e hortaliças em São Paulo”, diz o especialista Glauco Kimura, coordenador do programa Água para a Vida, do WWF Brasil. “Será necessário trazer comida de outros Estados.”

O desabastecimento, no entanto, está ainda fora de questão. “Não é possível que todos os Estados sofram com isso. Se no Paraná não tiver problema, o comprador vai buscar lá”, diz Flávio Godas, economista da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). “O que vai aumentar é o preço. Buscar o produto em locais mais distantes faz subir o preço final para o consumidor.”

SÃO PAULO RESTRINGE ÁGUA PARA IRRIGAÇÃO

O governo estadual de São Paulo estuda a possibilidade de revogar o decreto aprovado no início do mês, que reduz em 30% o volume de água usado pelos agricultores na Bacia do Alto Tietê em favor do abastecimento urbano da Grande São Paulo toda vez que o Sistema Cantareira estiver abaixo de 5% de sua capacidade. A restrição seria semelhante à anunciada pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) e pela Agência Nacional de Águas (ANA) para os Rios Jaguari, Atibaia e Camanducaia, que atinge 38 municípios paulistas e quatro mineiros. A Bacia do Alto Tietê é a segunda mais importante para o abastecimento da população da Grande São Paulo. Perde apenas para os rios PCJ (Piracicaba, Ca-pivari e Jundiaí).

O poder público reconhece que a medida trará perdas de produtividade aos cultivos. O presidente do sindicato de produtores rurais de Atibaia, Jorge Matsuda, prevê queda na produção: “Os agricultores contam com o Rio Atibaia ou com a chuva.

Muitos deles já se anteciparam e desistiram de plantar morango este ano para evitar prejuízos”. O Atibaia é um dos rios atingidos.

No Brasil, estima-se que a agricultura seja responsável por até 80% do consumo da água potável.

No dia 12, uma comissão formada por políticos, sindicalistas rurais e agricultores se reuniu com o superintendente do Daee, Ricardo Borsari, e com o vice-governador paulista, Márcio França, para mostrar um relatório que aponta que a medida poderia comprometer 60 mil postos de trabalhos ligados diretamente e indiretamente ao agronegócio da região. Os agricultores ainda estão tentando a revogação do decreto.